Zahyra Mattar
Tubarão
A ocupação da rede hoteleira para as festas de fim de ano surpreendeu até mesmo os empresários do setor. O Natal, considerada uma celebração mais familiar, registra uma taxa de 80% de reserva em Laguna. Em Imbituba, este percentual é de 75%, especialmente nas praias do Rosa e da Ibiraquera.
Para a festa da virada, restam poucas vagas em Imbituba. “A taxa de ocupação é de 95% nos hotéis e 90% no setor imobiliário”, comemora o secretário de desenvolvimento econômico e turístico da prefeitura, Roel Ruiz.
Diferente dos anos anteriores, muitos argentinos descobriram a Capital Nacional da Baleia Franca e estão de malas prontas para pular as sete ondas nas praias paradisíacas da Zimba. Em Laguna, quem não reservou um lugarzinho, ficou sem: a rede hoteleira está sem nem um colchão.
O setor imobiliário possui poucos imóveis para locar. Para a primeira semana de janeiro, a mais movimentada, especialmente na praias, a reserva de vagas está em 70% nos hotéis e cerca de 80% em casas e apartamentos das duas cidades.
A grande surpresa é o Carnaval. Em Laguna, alguns estabelecimentos estão com 100% das vagas confirmadas. Em outros, o número está na casa dos 90%. Em Imbituba, o setor imobiliário tem apenas 10% do total de imóveis para alugar para este período. Já o setor hoteleiro comercializou mais de 85% do total de vagas para o Carnaval.
O que não tem aqui, tem ali
A falta de roteiros integrados é essencial para o desenvolvimento do segmento turístico na Amurel. Potencial existe, o que faltam são ações curtas e conjuntas para mudar a cultura do umbigo. “Infelizmente, ainda não conseguimos pensar o conjunto. Temos que reavaliar a forma de vender nossa região”, avalia o empresário da rede hoteleira em Laguna Jefferson Crippa.
Se chove, o turista que está em imbituba poderia ser instigado a conhecer os museus em Laguna. Quem está na Cidade de Anita poderia comprar no comércio de Tubarão ou conhecer as águas termais de Gravatal. E quem sabe pudesse se interessar por dar uma esticadinha para Santa Rosa de Lima, tomar banho de cachoeira e comer fruta no pé.
“O problema é que tem muita gente que acha que irá perder com isso. Na verdade, é o contrário. Com roteiros integrados, o turista passa mais tempo na região. Hoje, não é isso que ocorre. Resultado: todos perdem”, opina Crippa.
Falta de infraestrutura
Conforme a Organização Mundial do Turismo (OMT), o segmento turístico mundial, no próximo ano, deve crescer 4,5%. Neste percentual, a América do Sul tem um papel de destaque, com um crescimento projetado em 13%, maior do que a média global. No Brasil, a projeção também é bastante otimista e o estado de maior destaque é Santa Catarina. A região sul caminha para ocupar sua parcela no segmento. Ainda que todo o estado tenha um potencial extraordinário, é o sul que guarda as maiores surpresas. Não há outro local onde a neve, o sol e as águas termais estejam presentes.
Contudo, a falta de infraestrutura e acesso ainda têm sido um dos principais pontos negativos. Os números poderiam ser melhores se a BR-101, especialmente entre Capivari de Baixo e Laguna, estivesse duplicada. “As pessoas vão para onde conseguem chegar e aqui deixamos muito a desejar neste sentido”, avalia o empresário da rede hoteleira em Laguna Jefferson Crippa.
Por outro lado, ao contrário dos anos anteriores, a baixa temporada não foi de amargar para o trade turístico da região. Este ano, além da baleia franca, campeonatos esportivos e a realização de shows musicais fizeram a diferença, especialmente para Laguna e Imbituba.

